sábado, 24 de junho de 2017

Tradições



Passou a noite em que os tripeiros se divertem a trocar marteladas na cabeça à custa do S. João, hoje em dia com sotaque chinês.
Mas têm pouca sorte, já que alguém determinou o lógico: proibir o lançamento de balões de mecha a arder, essas bombas voadoras que caem ninguém sabe onde e incendeiam pinhais.

sexta-feira, 23 de junho de 2017

Fugir a salto

Os caçadores de cachalotes, de que extraíam um óleo finíssimo, vinham em tempos da América procurá-los às ilhas dos Açores.
E os pescadores locais não estavam autorizados a entrar nos barcos americanos, nem eles podiam acolhê-los.
Mas havia uma falésia numa ilha, donde os açoreanos saltavam directamente para dentro do barco americano. Foi um arranjo desses que levou uma grande comunidade açoreana para a América.
Os modos mudaram com os tempos. Mas a fala assim ficou.

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Capelas

Em entrevista à TSF, Helder Macedo põe os pontos nos is: critica acerbamente a pobre contribuição de Luiz Pacheco para a literatura, esse cultor de excessos variados.  
Deixemos passar as velas votivas da capelinha surrealista!

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Anacronismos ou cegueira histórica?!

"(...) Há, porém, relatos de alguns visitantes estrangeiros, surpreendidos com uma situação que era, para eles, pouco familiar.
O nobre flamengo Jan Taccoen, senhor de Zillebeke, quando em 1514 passou por Lisboa a caminho de Jerusalém, teve oportunidade de ver chegar um navio "carregado de especiarias" que sob a coberta trazia cerca de 300 escravos negros, homens, mulheres e crianças. Ficou chocado com o facto de todos virem completamente nus, mas também não lhe deixou boa impressão a forma como depois foram tratados. Saídos do navio, foram agrupados na praia, e aí ao sol de Abril foi-lhes dado de comer em grandes gamelas, um espécie de trigo cozido, uma massa mole. Não tinham colheres, e o grupo que rodeava cada uma das gamelas usava as mãos para levar os alimentos à boca.
Acabada a comida, foram obrigados a ir lavar as gamelas ao Tejo, as quais em seguida foram enchidas de água doce. No entanto, a única forma que tinham de chegar à água era ajoelhando-se, e bebendo como animais. (...)
O prazentim Giuli Landi, quando passou pela capital portuguesa cerca de 1525, não deixou de reparar no modo de comerciar os escravos africanos. "Na compra e na venda dos escravos empregam muito cuidado, pois não basta para os compradores verificar a sua destreza e a sua galhardia, fazendo-os andar e correr, querem também ver se têm algum defeito nos seus corpos, e se lhes faltam dentes, por estarem convencidos de que aqueles a quem faltam dentes são mais fracos para o trabalho, por lhes faltarem os instrumentos de comer, de onde lhes vêm as forças. Ao exporem os escravos para vendê-los, costumam untá-los com azeite, para que os seus corpos pareçam mais lustrosos e mais belos. (...)
A praça da cidade que Sassetti refere era provavelmente o Largo do Pelourinho Velho, um dos topos da cosmopolita Rua Nova dos Mercadores, que corresponderia hoje ao quarteirão definido pelas ruas do Comércio, da Madalena, da Alfândega e dos Fanqueiros. (...)"
Os indígenas locais que ainda hoje sustentam que a aberração do tráfico escravo era fruto normal do tempo, limpem as mãos à parede! É que não há pior cego que aquele que não quer ver. 

terça-feira, 20 de junho de 2017

Publicidade

* Quem quiser comprar um escravo preto, com idade de 16 anos, sem achaques, sabe cozinhar, capaz para todo o serviço, vá a casa de Ricardo King, morador na Calçada do Correio-Mor. Gazeta de Lisboa, 16 de Março de 1724
* Quem quiser comprar escravos e escravas boçais que vieram nesta monção de Cacheu, podem-nos vir ver à casa de Patrício Nolan, no meio da Rua das Flores. Gazeta de Lisboa, 14 de Agosto de 1727
* Quem quiser comprar uma preta pode falar a José Rodrigues Charneca, cabo da ronda, morador na Calçada de Santo André. Correio Mercantil e Económico de Portugal, 8 de Maio de 1787
* Quem tiver para vender algum escravo preto, fale na loja da gazeta...
* Quem quiser comprar uma mulata da idade de 22 anos, que sabe muito bem coser, engomar, fiar, fazer meia e cozinhar, fale com Manuel Alberto Colaço, capitão de Infantaria agregado à primeira Plana...
* Pretende-se comprar um escravo de 12 até 16 anos de idade...
Comentários para quê?!

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Comércios

2 - Fora de considerações de ordem moral e de critérios históricos, o pensamento que aqui se apoia é este: nenhum povo moralmente são resiste a séculos de desbragado tráfego de seres humanos.  
" (...) Não nos deve espantar esta importância da Carreira da Índia no transporte de escravos para Portugal. Como tivemos oportunidade de referir quando tratámos dos escravos índios, acontecia assim desde praticamente a abertura da Rota do Cabo e o volume de saídas só teve tendência para aumentar, à medida que, no séc. XVII, as mercadorias de luxo deixaram de ser suficientes para satisfazer a tonelagem das armadas.
Os escravos transportados, além de asiáticos das mais variadas origens, eram também africanos da costa oriental, resultado dum comércio que já era anterior à chegada dos portugueses e que estes continuaram.
Além disso, no regresso ao reino, por motivos justificados ou inventados, alegando por exemplo problemas técnicos ou de falta de água, as frotas procuravam fazer escala em Moçambique ou em Angola, reabastecendo-se aí de mercadoria humana em troca dos tecidos asiáticos. (...)
As frotas de 1665 e 1667 fizeram mesmo o pleno, parando em Moçambique, em Angola e na cidade da Baía. (...) Aproveitando esta paragem tripulantes e particulares vendiam na cidade baiana alguns dos escravos trazidos nas naus da Índia, prática de que há notícia desde 1698. (...) No caso dos escravos trazidos do Brasil, alguns já crioulos, quase sempre acompanhavam funcionários, militares ou emigrantes portugueses de regresso à pátria. (...)
Alguns dos proprietários podiam trazer, embora não fosse comum, dez ou mais cativos, e parte deles por certo eram vendidos a terceiros. Em 1727, um comerciante de escravos com loja no Bairro Alto mandava anunciar na Gazeta de Lisboa: Quem quiser comprar escravos e escravas boçais que vieram nesta monção de Cacheu, podem-nos vir ver à casa de Patrício Nolan (britânico?), no meio da Rua das Flores. (...)
O abastecimento do mercado português em mão de obra cativa passou a fazer-se em grande parte pela reprodução física dos escravos residentes, na esmagadora maioria de origem africana, tendo o fornecimento a partir do exterior deixado de ser regular e tornando-se irrelevante na maior parte dos anos. Só isso permitiu que, em 1761, o marquês de Pombal pudesse avançar coma proibição da entrada de novos escravos em Portugal, sem protestos dos comerciantes."

domingo, 18 de junho de 2017

Apocalipse segundo S. João

O fogo de dimensões bíblicas tomou conta da vida, sem que qualquer de nós possa fazer-lhe frente ou escapar-lhe.
O resultado é aterrador. Nenhum dos outros evangelistas o referiu, mas está aí. E a única explicação racional que me chega é a dum amigo que o não diz, mas o escreve.
"A complexidade crescente da organização da vida ... a energia das telecomunicações... a gestão das redes... custa mais do que o que traz.
Recolhe-te à tua pobre dimensão e confia. Chegaram tempos em que é melhor ser gato!