terça-feira, 17 de outubro de 2017

Ecrãs


Na época da grande depressão americana do século passado, em que os camponeses, brancos ou negros, eram espoliados pela escumalha dos bancos, Bonnie e Clyde lançaram mão dos grandes argumentos: as armas. Duvido de que fossem criminosos.
Arthur Penn deixou-nos este filme surpreendente, dum tempo em que se fazia cinema. Hoje já não. Hoje há zombies, e alliens, que só têm dois dedos. P´ra picar em ecrãs.

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Romízio

Durante a guerra civil espanhola as galinhas eram um excelente pitéu para anarquistas, comunistas e franquistas, que as passavam ao estreito, enquanto defendiam as portagens das muitas guadarramas. E foi assim que, no fim da guerra, não havia ovos em Castela.
Então vinham arreeiros, de aldeia em aldeia, comprá-los a Portugal até fazerem carga.
Um dia chegaram às Moreirinhas, ao cair da tarde, e entraram na taberna para matar a galga. A taberneira serviu-lhes um guisado de coelho. Mas a eles parecia-lhes gato, ou romízio, como diziam.
A cozinheira jurou, sem os ter convencido. E eles pouco se importaram. Mataram a galga e foram à vidinha.

domingo, 15 de outubro de 2017

O pior

Foi neste aviãozinho primitivo que voei sozinho pela primeira vez, em 1964. A euforia que senti sobre a ria de Aveiro não se descreve.
O pior é o que veio a seguir.

sábado, 14 de outubro de 2017

O violinista

Se Portugal não fosse para cá dos Pirinéus, cantaria outro galo. Assim, faz-se o que se pode. E eu, que nunca fui mais do que um tocador de rabecão, lembro-me do violinista.
Um dia os americanos, de olhos postos nos negócios da Nato, construíram um novo modelo de avião de caça e intersecção, que não passou dos ensaios.
Chamaram ao Texas pilotos de todos os países interessados nos negócios da Nato, e puseram-nos a experimentar o protótipo do F20. Acima de 4 g's o animal entrava em vibração e desenhava no céu um immelmann gracioso. Por sua alta recreação. Os indígenas clientes da Nato calaram-se, respeitosos.
O violinista fez um relatório em que apontava a limitação, disse o que tinha a dizer. E os americanos, com o trabalhinho feito, quiseram dar-lhe um coche de presente. Ele mandou-os foder, apanhou um avião e regressou a Lisboa. Acabou preterido nas promoções.

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Sócrates?

Quando se junta uma poderosa corporação de magistrados e uma elite de políticos corruptos, vai tudo pró caralho.
O ariano Temer e uns juízes amestrados fazem o resto, lá como cá. A Dilma Roussef e o Lula presidente que o digam.

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Urso amestrado

Curiosos são os jovens escreventes indígenas. Incapazes de ver a realidade nacional, despicienda para eles, voam para o estrangeiro em busca de inspiração.
O Peixoto anda pela Tailândia, o Hugo-Mãe pela Islândia, o Tavares pela Índia, se não for por onde calha. Mas esse já tem o Nobel garantido, de formas que outro galo canta.
Certas criativas mais incipientes inspiram-se em ladrões, em detectives, em cenas de tribunais. E juram que hão-de inventar o cânone do policial portuga. 
O leitor desprevenido é o urso amestrado de serviço.

terça-feira, 10 de outubro de 2017

Kusturica

O filme é o Gato Branco - Gato Preto.
Entre mil e uma preciosidades, a cena dum porco a comer a chapa de contraplacado dum Trabant com motorzinho a dois tempos, é inesquecível. Só quem os não conheceu.